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A guerra suja contra o amianto

Desde que a disputa pelo mercado de telhas no Brasil se transformou em uma guerra comercial, a poderosa indústria multinacional de fibras artificiais passou a disseminar a ideia de que a população corre risco de contrair doenças se adquirir qualquer produto contendo fibra de amianto, tanto faz se telha ou caixa d’água. Quanto mais medo, tanto melhor, isto sim se tornou realmente contagioso. E perigoso. 

O assunto interessa a todos, e merece esclarecimentos, diante do seguinte quadro: mais de 25 milhões de residências no Brasil estão cobertas com telhas de fibrocimento com amianto. Isto basta para explicar o apetite da concorrência internacional por essa fatia do mercado. Mas não justifica os métodos para obtê-la. 

Preocupado com o assunto, o Supremo Tribunal Federal (STF) reuniu há pouco mais de um ano cientistas e especialistas do mundo inteiro para uma audiência pública. Nela, foram apresentados, com toda liberdade, argumentos prós e contra o produto.  No final, restou claro que o Brasil está no rumo certo ao permitir, na forma da lei, o uso do amianto crisotila na indústria, e que não se pode trocar o certo pelo duvidoso, como bem fundamentou o ministro Marco Aurélio, coordenador da audiência, ao proferir seu voto.

Não há registro, no mundo inteiro, de pessoa contrair doença por usar produtos com amianto, inclusive caixas d’água. O amianto crisotila é um produto natural, presente em dois terços da crosta terrestre, nos leitos dos rios, riachos, lençóis freáticos e até no ar que respiramos. 

Como se não bastasse, o nosso país possui a mais rigorosa legislação de que se tem notícia sobre uso, controle e transporte desse produto. Os problemas que existiam correspondem ao passado, quando muitos países adotaram uso do amianto tipo anfibólio, uma variedade mais resistente e prejudicial à saúde humana. A Europa, por exemplo, não só usou, como também exportou esse tipo, expondo milhares de trabalhadores às fibras nocivas até se dar conta do problema.  

A produção brasileira atual é exclusivamente de amianto crisotila, dentro de controles que superam até mesmo as exigências da Lei, provando que existe, sim, limite seguro, graças ao desenvolvimento de técnicas que tornaram-se referência mundial. 

Já com relação às fibras artificiais conhecidas pelas siglas PP e PVA, não se pode dizer o mesmo. Sabe-se, de saída, que sendo derivadas de petróleo, são poluentes, levando a Organização Mundial de Saúde (OMS) a afirmar, publicamente, que elas oferecem risco indeterminado à saúde humana. 

Mesmo assim, numa típica propaganda enganosa, vendem-se esses produtos como “ecológicos” e “recicláveis”. É o mesmo que dizer que saco plástico faz bem à natureza. Como todos sabem, um saquinho esquecido no chão demora até 450 anos sem se decompor. Já um pedaço de borracha fica por tempo indeterminado. 

Outra falácia é a de que o amianto já foi proibido em “mais de 50 países”, sem informar que a proibição se deu onde o amianto do tipo anfibólio foi usado sem qualquer controle, e que outros 150 países adotam o tipo crisotila sem maiores problemas, inclusive as nações mais desenvolvidas do mundo, como os Estados Unidos, o Canadá e a Alemanha continuam usando.

Sobre os impactos de uma proibição, é preciso levar em conta, em primeiro lugar, as populações de baixa renda, que serão obrigadas a adquirir um produto caro e de baixa qualidade. Segundo, a indústria, que será submetida a uma dependência sem precedentes de resinas plásticas derivadas de petróleo manipuladas por empresas estrangeiras, como demonstrou estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Terceiro, de ordem socioeconômica, vai afetar uma cadeia produtiva que emprega mais de 170 mil pessoas. 

Por tudo isso, uma reflexão ponderada e não emocional nos leva a concluir que, nessa questão, se há algo a ser banido é a desinformação, própria de uma guerra suja.

 (Marina Júlia de Aquino, presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC))

 

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